quinta-feira, julho 24, 2014

Sabatina Toninho do PSOL: auditorias nas contas e nada de novas UPAs


A primeira atitude de Toninho do PSOL, se eleito governador, é solicitar uma auditoria nas contas do GDF. “É fundamental que a gente possa esclarecer como os recursos públicos foram utilizados aqui no Distrito Federal”, afirma. Acabar com as Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s), um modelo que ele considera “falido”, e extinguir o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) são outras providências drásticas que ele promete tomar, caso esteja no comando do Palácio do Buriti. Psicólogo e servidor público aposentado, Antônio Carlos de Andrade está na disputa ao GDF pela terceira vez. Ele  inaugura uma série de sabatinas promovida pelo Jornal de Brasília. Marcada para às quartas-feiras, sempre às 10h30, as entrevistas com os candidatos do DF são transmitidas,  pelo JBR TV (www.jornaldebrasilia.com.br). Os leitores também podem participar, enviando perguntas para o e-mail eleicoes2014@jornaldebrasilia.com.br. Na próxima quarta-feira, dia 6, o entrevistado é Luiz Pitiman (PSDB).  
 
Qual a importância de sua participação na sabatina do Jornal de Brasília?
As eleições deste ano, eu espero, devem ser marcadas por um debate de conteúdo programático, de qualidade. Então, a contribuição que vocês trazem, de politizar o pleito, de trazer um debate esclarecedor ao nosso eleitorado, é importantíssima para o fortalecimento da democracia, no DF e no Brasil. 
 
Se o senhor for eleito, qual a primeira atitude que  tomaria?
A primeira iniciativa é fazer uma auditoria nas contas que eu vou receber do governo. E concomitante, eu quero anunciar, no primeiro dia de governo a formação de, pelo menos, mil equipes do programa Saúde em Casa, levando médicos e demais profissionais de saúde para o atendimento domiciliar. Temos recursos  para fazer nesse quadrilátero um dos melhores modelos de atendimento à nossa população.
 
Qual é a posição do PSOL, com relação ao vandalismo que tem tomado as ruas da cidade?
O PSOL, desde a sua fundação, nunca foi e nunca será, espero, um partido que lidere qualquer tipo de manifestação violenta contra as pessoas e contra, de um modo geral, o patrimônio. Há controvérsia sobre o papel da deputada Janira no episódio do Rio de Janeiro. Na minha opinião, ela só deu uma carona. Ela não estava escondendo. Tanto é que ela já explicou que não estava dando fuga a procurado pela Justiça.  
 
O senhor disse que os brasilienses estão desiludidos com a política. É o voto deles que o senhor quer conquistar?
Gostaria de conquistar a maioria dos eleitores do Distrito Federal, para a gente fazer um novo governo, um novo projeto. Esse início de campanha nas ruas tem demonstrado de parte da população um sentimento de repulsa à figura dos políticos em geral. Eu argumento com o eleitor que as pesquisas de opinião mostram que uma parcela da população prefere (o candidato ao governo) José Roberto Arruda (PR), um notório ficha suja, condenado pela Justiça. Isso é um sinal de que há muita contradição. 
 
Quais os seus planos para a segurança pública no DF? 
Eu defendo uma tese muito polêmica: não precisamos de policiais vestidos de preto, para aterrorizar a população, com aqueles uniformes que mais se assemelham aos nazistas na Segunda Guerra. Se eleito governador, vamos mudar a concepção de segurança pública e promover a integração entre as forças policiais. Isso é uma urgência para dar segurança ao nosso povo. Eu proponho a extinção do Bope e que os policiais possam integrar o corpo da segurança pública, voltada para o atendimento das necessidades da nossa população.
 
É impossível administrar sem maioria na Câmara Legislativa?
As pessoas, às vezes, me acusam de ser um otimista em demasia, mas acho que é possível governar, cada um na sua área. Eu espero ter uma relação muito boa com a Câmara Legislativa, com muita clareza, com uma relação aberta, pública.  Mas vejo dificuldades, claro, porque há uma cultura de negociação permanente. Isso tem que acabar. Basta colocar a população de plantão em frente à Câmara, tenho certeza que os projetos serão aprovados, sem negociatas. 
 
Essa aparente polarização entre Agnelo e Arruda é positiva ou negativa  para os demais candidatos?
 Acho muito negativa. Eu vejo a movimentação: o Arruda tenta chamar o (governador) Agnelo (Queiroz - PT) para polarizar. O Agnelo, por seu turno, tenta levar. Acho um erro e um prejuízo  grande para a democracia. Enquanto eles ficam se engalfinhando lá, nós estamos trabalhando nas bases, divulgando nossas ideias. Eu sempre digo:  eu pensasse igual aos demais,  não seria candidato,  estaria apoiando ou dentro de uma dessas coligações.
 
Em quatro anos, é possível arrumar a casa e estabelecer medidas drásticas?
Eu sou um otimista que não faltará dinheiro para as obras que a gente quer fazer. E eu considero quatro anos um tempo suficiente para fazer isso, com bom planejamento estratégico, sabendo o que vamos fazer no primeiro, no segundo, no terceiro e no quarto ano. Estamos com um projeto - e tem dinheiro pra isso - de levar o transporte sobre trilhos até Planaltina, de boa qualidade, conforto e ecologicamente correto. E o metrô até o fim da asa norte. O BRT está aí, nós não vamos desmanchar, mas é um modelo já ultrapassado. Vamos investir em metrôs, em trens, em transporte limpo, econômico e confortável para a população.
 
Você como crítico dos gastos com as obras da Copa, se eleito, o que propõe que seja feito com o Estádio Nacional de Brasília?
 Eu sou absolutamente contrário a privatizar  uma obra pública, construída com recursos públicos. Além de servir ao seu objetivo principal, que é uma praça do futebol, ele pode perfeitamente, nos seus anéis circulares, sediar salas de aula. No DF, tem torcedores fanáticos por vários clubes. Por que não trazer partidas do campeonato nacional de futebol para Brasília? Precisamos dar uma destinação ao estádio, para que não seja um monumento à feiura e à inutilidade. 
 
O senhor pretende convocar os aprovados em concursos do DF ou vai continuar contratando comissionados?
Eu sempre defendi e apoiei a realização de concursos como única forma de ingresso no serviço público. De acordo com as necessidades de nossas empresas públicas, convocaremos todos os concursados. Acho que a terceirização é uma forma perversa de gasto público , uma forma de escravidão moderna. 
 
O DF deixa de arrecadar milhões porque os caminhões que chegam aqui não são parados nas fronteiras, já que os fiscais não têm condições de trabalho. O que o senhor pretende fazer com relação a isso?
Causa estranheza mesmo que nós não tenhamos barreiras de fiscalização para acompanhar o fluxo de entrada e saída de mercadoria. É importantíssimo equipar a Secretaria de Fazenda com equipes treinadas. Vamos combater a sonegação, em todas as dimensões.
 
O senhor pretende fazer uma reforma administrativa no DF?
Vamos reduzir  cargos comissionados e contratar servidores efetivos. Vamos dar uma sacudida no governo,  porque o número de servidores não está bem distribuído nas estruturas. 
 
No caso dos servidores públicos, principalmente dos professores, não há uma indústria da licença médica no DF?
Nosso candidato a vice, o professor Guilhem, já chamou a atenção para o grande número de professores doentes. Precisamos investigar com  profundidade.
 
Programas petistas, como as UPAs, continuarão no seu governo?
As UPA’s, com certeza, não. Esse é um programa falido de atendimento. Vamos substituir os gastos, redirecionando para o programa Saúde em Casa. As que estão construídas vão se manter, integradas à estrutura da Secretaria de Saúde. Mas não vou construir outras.  
 
O senhor é a favor da legalização da maconha?
Não depende de um governador, mas de uma mudança na lei. Mas eu gostaria de abrir esse debate livremente, a exemplo do Uruguai: lá, foi legalizada a maconha, o ministério da saúde foi colocado à disposição dos usuários e há um programa de educação para este fim. Eu acho que é melhor, porque combate o tráfico e a marginalização dos usuários. Estou aberto ao debate e isso me diferencia das outras candidaturas, que falam em repressão. 
 
Que políticas públicas o seu governo proporá para o público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros)?
O PSOL tem como característica um programa libertário. Temos como prioridade o combate a todos os tipos de discriminação na sociedade. Não podemos permitir que as pessoas, por sua orientação, sejam agredidas. Precisamos de um tratamento igualitário a todos os segmentos sociais. Faremos um combate implacável à discriminação. 
 
Tudo indica que a votação do  Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) vai ficar para o ano que vem. O senhor pretende frear esse processo?
 
Quero interromper, de imediato, sendo eleito. Não tem tramitação do PDOT nos termos em que ele foi apresentado. Questiono, por exemplo, a permissão de construção de edificações gigantescas e prédios dentro do Parque da Cidade. 
 
O que o senhor pretende fazer pelo transporte público em Brasília?
O transporte de massas mais inteligente é sobre trilhos e esse é o caminho para o DF. Eu sou entusiasta do transporte metroviário e ferroviário, com integração, pelas experiências das cidades mais desenvolvidas do planeta. Em um governo do PSOL, o transporte sobre trilhos é prioridade.
 
O PSOL tem sido apelidado de “P Só”, por evitar coligações. Se eleito, o senhor fará uma política de alianças?  
Eu considero que é melhor estarmos sós do que mal acompanhado, mas reconheço que a governabilidade é fundamental. O caminho que eu procuraria para a governabilidade é dialogar com aqueles que tenham identidade com o nosso projeto. No meu governo, no entanto, não terá troca de cargos por apoio político. 
 
O que o senhor pretende fazer com o antigo Caje, na Asa Norte?
Não concordo com a edificação de outro prédio ali,  espero que ele seja integrado ao parque previsto para o Setor Noroeste. Me parece mais inteligente, embora haja um segmento que defenda a construção de um centro de cultural. Mas eu acho que é muito afastado do centro da capital, um local de difícil acesso. Vamos debater com a comunidade, ouvir os moradores da Asa Norte, para saber o que eles querem.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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