terça-feira, março 04, 2014

Um em cada quatro negócios é da China

Um em cada quatro negócios é da China

Preços baixos atraem consumidores, que encontram produtos variados. Saiba como comprar
Rayane Fernandes
Especial para o Jornal de Brasília

Fazer compras pela internet já virou hábito de muitos brasilienses.  A motivação para isso está na   comodidade e   preços mais baixos. Em alguns cliques,  o internauta compra  produtos importados, antes só acessíveis em lojas especializadas ou bancas de feiras, que importam centenas de lotes. Não é à toa que entre os países mais procurados para importação  está a China. De acordo com os Correios, as encomendas enviadas por aquele país ao Brasil cresceram 152%  de 2012 para 2013. Dos produtos que chegam ao DF, cerca de 25% são chineses. 

Segundo a Receita Federal, o número de encomendas vindas de diversos países  alcançou 20,8 milhões no ano passado.   Ao importar produtos, é necessário ficar atento à tributação da Receita Federal. O valor máximo dos bens, pelo   Regime de Tributação Simplificda (RTS), é de três mil dólares americanos. O valor cobrado é de 60% sobre o preço dos bens, acrescido dos custos de transporte e do seguro, se não tiverem sido incluídos no valor da mercadoria. Remessas de até  50 dólares estão isentas do tributo. 
   
Vantagens
 Entre os sites chineses que se popularizaram estão o AliExpress (www.ali express.com) e o China Búye (www.chinabuye.com). Para o economista Bento Felix, há muitas   vantagens de fazer compras em sites   estrangeiros. “Isso causa uma competitividade de mercado. Pode gerar uma grande vantagem do dólar em relação ao real, principalmente com os produtos chineses, que têm o custo de produção   baixo”, afirma. 
 Segundo o economista, o produto chinês é barato porque não há carga tributária sobre a produção. “Já no Brasil, para se produzir paga-se um tributo muito alto”, comenta. “O preço da produção aqui  chega a ser mais alto do que comprar produto final dos chineses, que ainda vêm com boa qualidade”.

Outra vantagem, segundo Bento, é a possibilidade de combate à inflação. “Como os custos aqui são altos, o preço tende a aumentar. Com o preço de fora sendo muito mais barato, é uma forma de combate à inflação”, explicou. 

Segurança 
Ao fazer a compra, é preciso ficar atento a vários aspectos. Primeiramente,   observe a confiabilidade do site. “É sempre bom pesquisar em vários sites e não sair comprando em qualquer um. Veja as características do produto e da produção, prazo de entrega e vinculação entre pagamento e entrega. Tudo para que o consumidor tenha o menor risco possível. Desde que se tomem os devidos cuidados, é mais vantajoso fazer compras pela internet, para que haja concorrência”, relatou o economista Bento Félix.
 Ele alerta ainda  para os cuidados ao fornecer os dados pessoais. “Todos os dias há histórias de pessoas que  tiveram seus dados puxados por criminosos”, ressalta.

Saiba mais
Os Correios não possuem acordos comerciais (contratos) com nenhum site   quando da importação. Os Correios são o operador logístico escolhido para o desembaraço e a distribuição dos objetos postais importados e não participam da transação comercial entre exportador e importador (consumidor).  
Ao chegarem no Brasil, todas as encomendas postais são submetidas ao procedimento formal de desalfandegação. Assim sendo, todas as encomendas postais internacionais são apresentadas e vistoriadas pela Receita Federal. Nesta fase não há possibilidade de intervenção dos Correios.

É preciso checar a procedência
Caso o site seja confiável, a recomendação é ter referência da empresa que está comprando. “Não adianta nada comprar um produto mais barato se ele não for entregue”, diz o economista Bento Félix. “Além disso, depois que o produto chegar, é importante verificar se é realmente igual ao  comprado. Se for produto perecível, deve olhar se está dentro da validade”, sugere. 
De acordo com o Boletim de Proteção do Consumidor, da Secretaria Nacional do Consumidor, é sempre importante buscar informações sobre o site, como a reputação entre os usuários, o país de origem do produto, a sede da empresa, as formas de contato que ela dispõe e se há de fato alguma política de atendimento a consumidores estrangeiros. Além disso, é importante se certificar de que o produto comprado é legal no Brasil ou se necessita de autorizações especiais. 

Comodidade
 
A recepcionista Poliana Monteiro é adepta de fazer compras pela internet, principalmente por conta da comodidade. “Eu compro porque não tenho muito tempo para sair para procurar. Pelo site facilita porque mesmo eu estando no trabalho,  consigo fazer compras”, conta. Dos sites estrangeiros, o preferido dela é o Ebay. 

Dentre tudo que Poliana já comprou, um item é inusitado: vestido de noiva, direto da China. “Vi que estava mais barato do que se eu fosse alugar um aqui”, contou. “Além da facilidade de o vestido ser meu, eu não precisaria ter todo o cuidado que é exigido quando alugamos uma roupa”, afirmou. 

Ela comprou três vestidos para o casamento, mas um chegou na cor errada. Depois de tentar vendê-lo e não conseguir, ela negociou com uma loja de aluguel de vestido de noiva. “Fiz a proposta de trocar pelo aluguel da roupa de casamento do meu marido e deu certo”, relatou. O preço é o que mais impressiona. Os três vestidos chineses saíram por cerca de R$ 900.

Oportunidade de ganhar dinheiro
A jornalista Patrícia Vasconcelos também é experiente em fazer compras pela internet e  acredita ser mais vantajoso. “Eu compro tudo. Bolsa, acessório, capa para celular, itens para escritório, entre outros. Sai muito mais barato do que se eu tivesse que comprar aqui”, afirmou. Para ela, comprar pela internet é questão de praticidade. “Estamos em uma era digital. Detesto ir ao banco, por exemplo. Então, resolvo tudo pela internet. Dos sites de compras, o AliExpress é o meu mais novo queridinho”, completou. 

 Quando começou a fazer compras pela internet, a jornalista viu uma grande oportunidade de negócio: a revenda dos produtos. Mas desistiu porque se tornou um hábito comum de muitas pessoas. “Eu comecei a vender case para Iphone. Mas, hoje, em qualquer lugar é possível comprar. A oferta está muito grande”, disse. “Quando eu comecei, eu tinha várias capinhas diferentes, então vi uma oportunidade de negócio. Mas agora estou vendo outras oportunidades. Sites da China estão muito na moda”, disse. 

 Para a jornalista, uma das vantagens é a possibilidade de comprar por atacado. “Quando eu vendia capinhas, conseguia comprar o malote. Se eu pagasse três dólares em uma capinha, no malote sairia por 15 dólares. E vendia por cerca de R$ 20 cada uma”, disse. 

Pesquisa
 Mas, antes de qualquer coisa, ela faz muita pesquisa. “Eu sempre vejo se vale a pena. Olho a procedência do vendedor, se ele tem um feedback positivo”, relatou. “Muita gente ainda tem insegurança com relação ao meio de pagamento. Tem gente que tem dificuldade de manusear o site, por conta da língua. No início a gente erra um pouco. Em caso de roupa, por exemplo, já errei porque o manequim de fora do país é diferente, então comprei errado. Mas depois que pega a prática, fica mais fácil e vale muito a pena”, comentou. 

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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