quinta-feira, junho 18, 2015

Manifestantes clamam por "intervenção militar constitucional nos Três Poderes"



Quem passa pela Esplanada dos Ministérios já deve ter percebido um acampamento com bandeiras do Brasil, dois ônibus, ares militares e dezenas de cartazes no gramado próximo ao Congresso, ao lado do Itamaraty. Há quase 90 dias, grupos sociais pedem, de lá, o que chamam de “intervenção militar constitucional nos Três Poderes”.

Nas palavras dos manifestantes, na falta de respostas eficientes das autoridades e com os casos generalizados de corrupção, vistos em todos os partidos, as Forças Armadas deveriam retomar o poder para reorganizar e limpar a máquina pública.  Após a “limpeza”, os intervencionistas alegam que  eleições com ficha limpa seriam retomadas. 

“Nós hoje temos um governo que não conhece os problemas do Brasil. Os partidos políticos têm o comportamento de agremiações criminosas e estão destruindo o País. Ou nós conseguimos que os militares tirem eles do poder e novamente tenhamos um governo militar ou o Brasil não tem mais chance”, argumentou Ronaldo Luís Ferreira, um dos líderes da manifestação.

Do ponto de vista intervencionista, o regime militar, pelo qual o Brasil foi submetido há poucas décadas, não foi uma ditadura, porque houve alternância de poder para evitar a influência comunista e “bandismo” interno. Mas vale o registro de que os presidentes do período foram generais avalizados pelas Forças Armadas. Além disso, os governos militares adotaram a postura de  linha dura contra qualquer crítica ao regime, em muitos casos, recorrendo à violência extrema. 
    
“Em 64, os militares tomaram o poder para limpar a casa. Agora, vamos ver o que esse governo fez com a Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES. Acabaram com tudo”, defende o representante do  grupo Patriotas, Luís Antônio.

Nada de políticos 
Segundo Luis, o movimento caminha sem apoio de políticos oue militares. “A gente quer uma intervenção  militar não para dar força ao militarismo e sim que se faça cumprir o que está na Constituição”, declarou. 

No acampamento, poucos rostos são vistos, mas os organizadores alegam que possuem  apoio pelas redes sociais.

Extremistas sem muitos seguidores
A fragilidade das principais instituições brasileiras é um terreno fértil para o nascimento de discursos extremistas. Esta é a leitura do professor de Ciência Política da Universidade Brasília, David Fleischer. E a partir das sucessivas falhas dos políticos moderados, a radicalização pode nascer em todos os campos ideológicos e sociais.

“O Brasil está em um momento difícil. O governo está enfraquecido e sem rumo. Isso propicia o discurso  extremista. Mas, por enquanto, eles não têm muitos seguidores”, afirmou. 
No Congresso é cada vez mais comum ver personagens com discursos radicais, seja para direita ou para a esquerda, como por exemplo o do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).
Na Europa, posições extremistas  começaram  a ganhar protagonismo em 2008. A esquerda radical chegou ao poder na Grécia e anunciou moratória. Na França, a direita ultra conservadora conquista cada vez mais espaço.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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