RIO — Está nas mãos do juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, a decisão de autorizar o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro a ouvir o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar. O pedido foi feito na quinta-feira pela promotora Gláucia Santana, responsável por dois inquéritos abertos em 2010, o primeiro para investigar “suposta evolução patrimonial incompatível com a renda do presidente da Transpetro”, e o outro para apurar sobrepreço na contratação da construtora Andrade Gutierrez para obras de ampliação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes).
Embora o pedido não cite nomes, o presidente da Transpetro na época era Sérgio Machado, licenciado recentemente por exigência da empresa que audita as contas da estatal, a PricewaterhouseCoopers (PwC), depois do envolvimento do dirigente no escândalo revelado pelo delator. Titular da 6ª Promotoria de Cidadania do Rio, Gláucia Santana, confirmou o pedido, mas evitou comentar os inquéritos. Ela, que conversou ontem com o juiz, pede para tomar o depoimento na casa de Paulo Roberto.
O inquérito civil é um procedimento administrativo parar apurar elementos de convicção que fundamentem a abertura de ação civil pública contra os responsáveis. A promotora decidiu ouvir o delator Paulo Roberto Costa afirmou em depoimento no dia 8 de outubro à Justiça Federal em Curitiba que recebeu de Machado R$ 500 mil em dinheiro, referente a propinas atrasadas, na negociação de um navio. O dinheiro, segundo o delator, foi entregue no próprio apartamento do ex-presidente da Transpetro, no Rio.
Com a divulgação desse trecho da delação, a PwC teria feito pressão pelo afastamento do presidente da Transpetro. Em reunião do Conselho de Administração da Petrobras, a auditoria externa teria ameaçado não assinar a análise dos resultados trimestrais da companhia caso Machado permanecesse à frente da Transpetro. Outra exigência foi a contratação de dois escritórios de advocacia, um do Brasil e outro dos Estados Unidos, para investigar as denúncias. Sergio Machado fora indicado para o cargo pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).








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