domingo, agosto 03, 2014

Rollemberg: promessa de combate aos "órgãos de araque"

Confiante de que estará no segundo turno, o candidato do PSB ao GDF, senador Rodrigo Rollemberg, promete choque de gestão, com redução de 60% dos cargos comissionados, corte do número de secretarias e com a implementação de órgãos efetivos de transparência, em vez dos atuais, que chama “de araque”. Ele diz gostar demais de fazer campanha e se empolga com a disputa: “Nós temos convicção de que a população de Brasília quer mudar e nossa chapa é a que expressa essa mudança”. Rollemberg foi o segundo candidato a participar das sabatinas organizadas pelo Jornal de Brasília. Na próxima quarta, às 10h30, é a vez de Luiz Pitiman (PSDB). Em seguida, José Roberto Arruda (PR) e, depois, Agnelo Queiroz (PT) respondem às perguntas dos jornalistas do JBr e dos internautas, que podem participar mandando perguntas para o e-mail eleicoes2014@jornaldebrasilia.com.br. 
Qual a importância de participar dessa sabatina?
É uma oportunidade de falar um pouco sobre a minha trajetória, sobre o meu compromisso com Brasília. Queremos fazer dessa cidade uma cidade melhor, para que os brasilienses se orgulhem novamente da capital. 
 
Qual seria a diferença entre um governo do PT e um  do PSB?
A primeira diferença básica é de gestão. Estamos vivendo um apagão de gestão. O Diário Oficial publicou: o governo Agnelo tem 19.600  comissionados, sendo que 9.223 são cargos de livre provimento. E o que a gente percebe é que a cidade não anda, o número de projetos aprovados é cada vez menor. Nós vamos investir fortemente na gestão, fazer uma revolução, declarando guerra à burocracia, que é irmã da corrupção. O PSB tem bons exemplos. O candidato do partido à Presidência, Eduardo Campos, foi considerado o melhor governador do Brasil por sete anos, por que implantou uma gestão baseada na ética, na transparência, na inovação, na sustentabilidade, na eficiência e na participação popular.  
 
Essa aparente polarização entre  José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz é positiva ou negativa?
Eles estão disputando quem vai para o segundo turno comigo. E são candidatos muito parecidos. Agnelo adotou os mesmos métodos do Arruda, de politicagem, e ambos respondem a vários processos na Justiça. Nós temos convicção de que a população de Brasília quer mudar, temos convicção de que hoje nossa chapa é que expressa essa mudança.
 
O senhor tem algum projeto de expansão do metrô para a região norte do DF, que inclui Sobradinho I e II e Planaltina?
Nós entendemos que devemos priorizar o transporte sobre trilhos, mas é claro que, para cada região, precisamos analisar e estudar a melhor alternativa. No caso da saída norte, os estudos técnicos que temos mostram que a inclinação do terreno não permitiria a implantação de metrô. O que é certo é que precisamos ter um corredor de transporte, mas estamos estudando qual tipo teria melhor viabilidade. 
 
O senhor fala em choque de gestão, mas tem 32 comissionados em seu gabinete. Isso não é um contrassenso?
Não é, até por que, em meu gabinete, só posso ter  comissionados. São apenas cinco servidores efetivos do Senado. E eu uso muito menos do que poderia usar - o Senado permitiria que eu tivesse 55. Tenho procurado ser muito austero. Eu  não usei R$ 1 de verba indenizatória ao longo do meu mandato e dispensei o carro oficial.  É nosso compromisso reduzir em 60% os cargos comissionados.
 
Por que o senhor não assinou o requerimento  para instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os gastos da Copa?
A gente percebe que as CPI's não têm cumprido o papel de fazer uma investigação profunda, serena e séria. Eu achei que naquele momento poderia ser utilizada muito mais como instrumento político, como foram outras CPI's.
 
Nas redes sociais, as pessoas sugerem que o senhor coloque mais cavaletes e cartazes nas ruas, porque o senhor ainda é desconhecido. Como tem sido a recepção nas ruas?
Tem sido extremamente gratificante.  Muitos candidatos não podem fazer o que eu faço, como chegar na rodoviária, ir do início ao fim de uma fila, abordando um por um, conversando e ouvindo as pessoas e apresentando nosso programa de governo. Nós decidimos não colocar cartazes nas ruas, porque a população quer uma Brasília limpa, uma campanha limpa e uma cidade governada por ficha limpa.
 
Quando foi secretário de Turismo do DF, o senhor permitiu que uma rádio se instalasse na Torre de TV, sem licitação. Como o senhor explica isso?
Quando cheguei na Secretaria de Turismo, tinha um processo de Tomada de Contas Especial, que ninguém tinha coragem de mexer, porque as televisões e as rádios ocupavam a Torre de TV havia mais de 20 ou 30 anos, sem pagar nada e sem ter nada formalizado. Eu resolvi regularizar aquela situação, como determinava a Justiça.  A CBN funcionava dentro do boxe da TV Globo, só que não constava do processo. Quando fomos dividir o espaço, a CBN ficou com um pequeno espaço. Posteriormente, o Tribunal de Contas me aplicou uma multa de R$ 500. Resolvi recorrer, fui ao Tribunal de Justiça e ganhei. 
 
Como o senhor avalia a situação do turismo no DF, depois da Copa? 
Eu avalio que o turismo é a forma mais inteligente, mais barata e mais eficiente de se promover desenvolvimento, oportunidades, distribuir renda, gerar empregos e  alternativas de entretenimento e lazer. Entendo que Brasília tem uma grande vocação para o turismo de eventos e cívico. Precisamos fortalecer o conselho de turismo, desenvolver políticas de turismo, qualificar a mão de obra, articular com a região do Entorno e fazer de Brasília um grande centro turístico nacional e internacional. 
 
Que proposta o senhor tem para combater o uso do crack no DF?
Essa questão do crack demonstra, da forma mais cruel, o apagão de gestão que estamos vivendo no DF. Faltam clínicas gratuitas para reabilitação, para dar uma oportunidade de recuperação para essas pessoas. Precisamos integrar essas ações ao combate rigoroso ao tráfico entre o DF e a região do Entorno. 
 
O senhor fala em reduzir o número de comissionados. Quais propostas o senhor tem para os servidores do GDF?
O servidor  efetivo será  valorizado na nossa gestão. Nós queremos discutir planos de cargos e salários que possam melhorar as condições de trabalho e salário, com o compromisso de, em contrapartida, nós oferecermos um serviço de qualidade. Eu penso até em realizar um concurso entre os servidores para que eles nos apontem o que precisamos fazer para reduzir a burocracia no DF e simplificar os processos. Vamos criar um conselho de transparência - não esses conselhos de araque do governo atual -  e vamos abrir o Siggo, que é um sistema de acompanhamento do orçamento do, que hoje só os deputados distritais têm acesso, para todo cidadão acessar as contas do orçamento. E nós vamos colocar painéis grandes, luminosos, nas áreas de movimento, como se fossem diários oficiais populares. E lá estarão todos os contratos que o GDF fizer. E vamos informatizar os processos.  
 
Se eleito, o senhor vai abrir espaço para o seu  suplente no Senado, Hélio da Silva Lima, que é acusado de abusar sexualmente de uma sobrinha de 12 anos?
Quem escolheu meu suplente foi o PT. Logo que eu soube dessa suspeita de abuso sexual, eu solicitei ao Agnelo e ao PT, preventivamente, a substituição. O PT decidiu não substituir. Hoje, não há nada de concreto, na Justiça, por que, pelo que soube, o processo foi arquivado. Mas, se houver, o meu partido, o PSB, entrará com um pedido de cassação do mandato.
 
Tudo indica que votações importantes para o DF - como Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e Lei Complementar de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) - ficarão para o ano que vem. Como o senhor pretende conduzir isso? 
Todos esses projetos tem de ser debatidos com total transparência, ouvindo a população, os órgãos técnicos e entidades, para que a gente possa fazer o que for melhor para Brasília. Precisamos resgatar o planejamento para a expansão urbana seja feita de forma organizada.  
 
O senhor se referiu a órgãos que deveriam garantir a transparência como "de araque". Por que?
Por que não estão funcionando efetivamente. Se uma pessoa chegar de fora e assistisse a uma propaganda do GDF,  ia querer morar na televisão, porque a propaganda é uma maravilha. Na vida real, nada funciona.  No DF, há 110 mil crianças de 0 a cinco anos fora de creches. Com os R$ 431 milhões superfaturados do Estádio Nacional, daria para construir 172 creches. 
 
O senhor considera que esta é uma disputa difícil no DF?
Não existe eleição fácil. O que está fácil é conversar com o povo, para quem tem uma trajetória como a minha. O governo tem a máquina pública e 9.223 cabos eleitorais empregados. Mas eu acredito muito nesse desejo de mudança da população. Estamos, há um ano e meio, elaborando o programa de governo. Não vamos fazer promessas, vamos apresentar compromisso. 
 
Quais os projetos do senhor para a saúde pública do DF?
Vamos contratar, por concurso, agentes comunitários e vamos retomar o programa Saúde em Casa, porque a saúde começa pela prevenção. Vamos melhorar a estrutura hospitalar. Precisamos construir em Brasília um hospital do câncer. 
 
Como conter a violência no DF?
Uma das coisas que fomos ver em Pernambuco, na gestão do ex-governador Eduardo Campos, foi o programa Pacto pela Vida, que reduziu os índices de violência no estado. É um programa articulado entre as áreas de segurança, governo, Ministério Público e Tribunal de Justiça, coordenado e monitorado pelo governador. É assim que vamos no DF, com políticas de prevenção, inteligência e combate ostensivo ao crime. 
 
As pesquisas mostram o senhor em terceiro lugar, na preferência o eleitorado. Na queda de Arruda ou Agnelo, o senhor disputaria o segundo turno. O candidato Luiz Pitiman tem aumentado as críticas ao senhor. Por que isso?
É natural que os candidatos critiquem os adversários. Nós estamos focando muito no nosso programa de governo. Não vamos perder tempo com críticas. E o apoio do Pitiman será muito bem-vindo no segundo turno.
 
O senhor acha que o tratamento de “toma lá, dá cá” com a Câmara Legislativa é inevitável?
Temos que mudar a cultura política no DF. Nós vamos reduzir o número de secretarias e vamos chamar a população para governar com a gente. A Câmara Legislativa vai perceber, desde o primeiro momento, que mudou a relação. Se eu, como governador, receber algum tipo de chantagem de deputado, vou denunciar. 
 
Arruda é grande empreendedor. O senhor acha que dá pra fazer as obras que ele fez?
Como é que um grande empreendedor não consegue sequer acabar um mandato? Eu não vejo onde está esse empreendedor. Brasília quer unir competência e honestidade. Quem não rouba, pode fazer muito mais. 
 
Se eleito, qual sua primeira atitude no governo?
Convocar a Câmara para aprovar projetos de interesse da população. 
 
O senhor acha que é preciso mexer nas divisas do DF para resolver problemas do Entorno?
O que eu entendo é que precisa haver uma articulação entre DF, Goiás e União, para tratar da região e fazer investimento no Entorno. Eu acho que essa é a forma mais eficiente e viável no momento.
 
Em caso de segundo turno entre Agnelo e Arruda, quem o senhor apoiaria?
Isso não vai acontecer. A questão é: quem desses dois irá disputar o segundo turno comigo.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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