domingo, julho 20, 2014

Barco abandonado às margens do Lago Paranoá vira ponto de crackEmbarcação abandonada às margens do Lago Paranoá, perto da Ponte Costa e Silva, é usada por dependentes da droga

 
 
   

O veículo de 20m de comprimento está nas proximidades da Ponte Costa e Silva, no acesso ao Lago Sul (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
O veículo de 20m de comprimento está nas proximidades da Ponte Costa e Silva, no acesso ao Lago Sul

Ao longe, a embarcação chama a atenção. Atracada próxima à Ponte Costa Silva, parece pronta para ganhar as águas do Lago Paranoá. Mas quem se aproxima percebe que o veículo de 20m de comprimento está deteriorado pelo tempo. Dentro dele, não há pessoas preparadas para uma volta no espelho d’água. O “dono” do barco se apresenta como Adriano Alves, um usuário de crack que há seis meses fez da estrutura moradia. À noite, outros viciados se encontram com Adriano. Protegidos do sol e da chuva, encontraram o lugar ideal para inalar a pedra.

A embarcação está abandonada desde o início do ano e pouco se sabe sobre o proprietário. Um velejador do Paranoá contou ao Correio que o responsável é filho de uma autoridade local. O rapaz teria desistido do veículo fluvial em razão do alto custo para restaurar sérios problemas estruturais. Mas, enquanto ninguém se apresenta para confirmar a versão, o barco se consolida como mais um símbolo do flagelo das drogas que se espalha pelo Distrito Federal.

Dentro dele, é possível constatar a triste realidade. Por todos os lados, há latas de alumínio usadas para o consumo de crack, além de fezes e comida estragada. Num dos ambientes equipados com duas beliches intactas, o mau cheiro exala de longe. Um colchão forrado com um lençol velho e sujo ocupa uma das camas. É onde Adriano dorme.

Vício

Na parte de cima, ele guarda uma panela com restos de macarrão, cinco sacos de pão e centenas de latas furadas e queimadas. “É a minha coleção”, brinca o viciado, que conta ter afundado nas drogas há seis anos, depois de perder a mãe. Para manter o vício, Adriano passa o dia vigiando carros no Gilberto Salomão, no Lago Sul. As moedas doadas pelos motoristas viram pedras. Outros viciados da região catam latinhas, vendem papelão ou pedem esmolas para comprar o entorpecente. O destino de todos é o barco.
 
Fonte:correioweb

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