domingo, março 23, 2014

Um grupo de rebeldes foi apelidado nos bastidores de ?bloquinho?, a exemplo dos parlamentares do Congresso ? o ?blocão? ? que estão em descompasso com o governo



Já se formaram coligações oposicionistas para disputar a sucessão, mas isso ainda não se refletiu no equilíbrio de forças na Câmara Legislativa, nem provocou grandes baixas na base do governo. Só o que tem ficado claro é o clima de insatisfação entre parte dos deputados governistas.

 As reclamações variam entre falta de cargos em órgãos do governo, até falta de autonomia do Legislativo. 
Um grupo de rebeldes foi apelidado nos bastidores de “bloquinho”, a exemplo dos parlamentares do Congresso — o “blocão”  — que estão em descompasso com o governo. O bloquinho  já dá sinais de perder força.

Falta de quorum
O exemplo claro da mobilização do grupo é a falta de quorum durante as votações. Até cobranças públicas por maior atenção do governo têm acontecido, como quando os deputados Patrício (PT) e Robério Negreiros (PMDB) pediram uma reunião com o presidente da Câmara, Wasny de Roure (PT), envolvendo todos os 24 deputados.

De acordo com a deputada Celina Leão (PDT), o número de deputados que votam com o governo varia e, mesmo com as contagens oficiais, apontando 19 ou 20 distritais aliados, não correspondem ao quadro real. A base teria entre 12 e 13 deputados, segundo a deputada. 

“Existe um grupo que entende que a Câmara precisa de autonomia e independência. Vêm por aí projetos polêmicos, como o PPCUB e a Luos e o governo não vai conseguir aprovar. Até porque é nosso nome que vai ficar registrado como os deputados responsáveis por um projeto que prejudicou a cidade”, afirmou.
“Inclusive acredito que neste ano o governo voltará a ter dificuldade em relação ao quorum”, projetou Celina. 

Ressentimentos
A bancada do PP se divide. O deputado Paulo Roriz se diz independente do governo. Antes apontado como insatisfeito, ele garante que o problema não são os cargos. “Houve um ressentimento, porque não fomos consultados na indicação do secretário de Micro e Pequena Empresa, mas isso é passado. O PP vai aguardar uma decisão dos 42 pré-candidatos a deputado distrital e essa decisão, de apoiar ou não o governo, só deve sair em abril”, explicou.

A postura do presidente regional do PP, deputado Benedito Domingos, é diferente. O parlamentar reafirmou o apoio ao governo e disse respeitar o posicionamento de Paulo Roriz. “É aceitável dentro do contexto de democracia do partido”, afirmou a assessoria de Benedito.

Consultado, o deputado Doutor Michel (PP) negou, por meio de sua assessoria de imprensa, a existência de um grupo de parlamentares rebeldes..

Sucessão ainda não pesa para a composição
Os parlamentares do PTB dizem estar fechados com o governo, mesmo após o anúncio da presença do senador Gim Argello na chapa do ex-governador José Roberto Arruda (PR), com a deputada Liliane Roriz (PRTB) como vice. 

“A decisão não foi conversada com a executiva do partido, da qual faço parte. Foi uma decisão do senador”, diz Cristiano Araújo.

O deputado Washington Mesquita acredita que ainda não seja um posicionamento oficial. “Estive com Gim e ele não me disse que existe martelo batido. Continuo no governo. Obviamente, o PTB é um partido grande e está sendo cogitado em várias coligações, pela força que tem”, afirmou.

Até o fim do ano passado, era claro que havia apenas três parlamentares oposicionistas, Liliane Roriz (PRTB), Eliana Pedrosa (PPS) e Celina Leão (PDT). A falta de quorum sugere que o  quadro está mudando,  mas de oficial, até agora, só a saída do deputado Aylton Gomes (PR) da base, motivada pelas prisões dos policiais militares e pelo anúncio da candidatura de Arruda, pelo PR.

Já é esperado pelos parlamentares que a base diminua ainda mais por conta das coligações, quando as legendas que hoje integram base podem passar para a oposição.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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