domingo, março 16, 2014

Após ser vaiada, Dilma acusa críticos de nunca terem 'ralado'



- Aqueles que não dão importância às pessoas ter a casa própria é porque nasceram em berço esplêndido. Aqueles que não valorizam o cartão do Minha Vida Melhor é porque nunca tiveram de ralar, de trabalhar de sol a sol para comprar uma televisão, uma geladeira, uma cama ou um colchão - discursou Dilma.

Enquanto Dilma Rousseff discursava, um grupo de cerca de nove estudantes do curso de Medicina que protestava contra o Mais Médicos, gritava: "PT, corrupção". As palavras da presidente também foram interrompidas inúmeras vezes por beneficiários de outro conjunto habitacional, do mesmo município, que exigiam direitos iguais com relação a infraestrutura das casas que estavam sendo entregues nesta nova etapa.
- Nós recebemos nossa casa há dois anos e elas já apresentam rachaduras - reclamou a dona de casa, Leidiane Souza, cobrando também a construção de postos de saúde, escolas e creches, algumas das benfeitorias existentes da nova etapa.
Foram entregues na solenidade 1.788 unidades do Minha Casa Minha, um investimento de R$ 89,4 milhões, que beneficiará mais de 7.000 pessoas. No discurso, a presidente disse que moradia não é presente do governo, mas um direito das pessoas custeado pelos impostos.
- Isso é sensação de cidadania, de que a pessoa conquistou por seus méritos. Ninguém deu, porque estas casas não foram presenteadas pelo governo. Sabe quem deu estas casas? Os tributos que o povo brasileiro arrecada todos os dias. Estar recebendo essas casas, portanto, é um ato de cidadania, é porque cada de vocês, cada uma das mulheres e dos homens aqui presentes são cidadãos de um país que reconhece o direito do povo brasileiro a ser o grande beneficiário do crescimento do país - afirmou.
A presidente disse ter muito orgulho do Minha Casa Minha Vida, porque é um programa que mostra "que o Brasil de hoje é bem diferente daquele Brasil do passado, em que a casa própria era privilégio de alguns, e hoje é direito de todos". Segundo ela, no seu governo foram entregues 1,580 milhão de unidades e 1,680 milhão estão contratadas. Para cumprir a meta, disse a presidente, faltam em torno de 500 mil casas, que serão contratadas até o fim do ano.
Esta foi a última inauguração em que Aguinaldo Ribeiro participou como ministro das Cidades. Na próxima segunda-feira, ele deixará o governo para concorrer nas eleições de outubro.
- Estou cumprindo a última missão no seu governo, presidente Dilma. Foi um momento importante, porque algumas pessoas passam pela vida e são marcadas pela vida. Outras passam pela vida, deixam marcas e marcam a vida das pessoas. A senhora é uma das pessoas que deixam marcas. A senhora entrou para a história como a presidente que mais fez casa, que mais fez saneamento e que se preocupou com os que mais precisam do governo - afirmou o ministro.
Dilma ignorou o discurso do governador do Tocantins, Siqueira Campos, que reclamou da falta de investimentos no setor elétrico. A cerimônia foi prejudicada pela chuva forte e teve que terminar antes do previsto, ficando tem o uso da palavra mais de cinco componentes da mesa, entre elas a secretária Nacional de habitação, Inês Magalhães.

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