quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Pesquisa da UnB usa esgoto para mapear consumo e origem de drogas no DF


Do R7, com informações da UnB

Técnica é utilizada para se estabelecer qual a origem da droga consumida por moradores de determinada regiãoReprodução TV Record
Um estudo realizado na UnB (Universidade de Brasília) revela os pontos de maior consumo de drogas e pode desvendar a rota do tráfico que abastece o Distrito Federal. O projeto é resultado de uma parceria entre a UnB e a Polícia Federal desde 2010, e é assinado por pesquisadores do grupo de AQQUA/UnB (Automação, Quimiometria e Química Ambiental).  
A pesquisa utiliza amostras de dejetos colhidas em estações de tratamento de esgoto do DF. O material coletado passa por avaliações, nas quais são identificadas substâncias secretadas pelo organismo de usuários de drogas, como a benzoilecgonina, produzida pelo metabolismo da cocaína e a anidroecgonina, produzida pela vaporização da droga durante o consumo de crack.  
Uma técnica semelhante é utilizada para se estabelecer qual a origem da droga consumida por moradores de determinada região. O método de avaliação desenvolvido na UnB leva três dias para ser realizado.   
Também a partir de dejetos, os cientistas conseguem avaliar se existe, no material descartado nos esgotos, compostos utilizados como adulterantes de droga, conforme explica Fernando Sodré, integrante do grupo de pesquisa AQQUA e professor do Instituto de Química.   
— Dependendo da origem da droga, diferentes tipos de adulterantes são comumente utilizados. Temos uma ferramenta em tempo real.    

De acordo com o professor, a pesquisa da UnB pode acelerar processos de investigação da Polícia Federal, baseados em métodos que podem levar meses até serem finalizados.   
— Até ser liberado o resultado, toda a dinâmica do tráfico pode ter mudado.  
A análise de dados é feita no laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. O laboratório é um dos únicos no DF que possui o equipamento necessário para a pesquisa. O mestrando Gustavo Brandão é o responsável pelo estudo desde 2012. Ele tem aperfeiçoado a metodologia utilizada pelo cientista Rafael Feitosa, que aplicou a técnica pela primeira vez em 2010, junto ao grupo AQQUA, enquanto cursava o mestrado pelo Programa de Pós-graduação em Química da UnB.

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